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Questão de gênero: o feminino e o Hip Hop

Questão de gênero: o feminino e o Hip Hop

O debate Hip Hop e as novas narrativas, promovido durante o evento Hip Hop 360º, em 12/05, no CEU Perus, contou com a participação da DJ Bia Sankofa (feminista e militante do Coletivo de Esquerda Força Ativa), Isabela Ramos (mestre em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo), o BBoy Chuim, o articulador cultural Paulo Malik, Valéria Zion (educadora) e o MC Vitor 7L. Entre os principais temas levantados durante o bate-papo esteve a posição da mulher dentro da cultura Hip Hop.

De acordo com os participantes, hoje há um reposicionamento da figura feminina no Hip Hop, já que até a década de 1990, as mulheres tinham um papel secundário, atuando apenas nos bastidores do movimento, como um apoio para a figura central masculina. Muitas vezes, para adentrar esse universo, as mulheres se masculinizavam, usando roupas largas como as dos homens, por exemplo. “A gente afogava a nossa feminilidade”, comentou Valéria Zion.

Nos eventos de Hip Hop, a presença de mulheres entre as atrações era mínima, em algumas ocasiões apenas para “cumprir tabela”. Mesmo adotando uma postura mais masculina, as mulheres continuavam a sofrer preconceito. “O problema não está no Hip Hop somente, está na sociedade machista em que vivemos. O machismo é perverso, é preciso resistência”, disse Bia Sankofa.

Izabela Ramos – que desenvolveu uma pesquisa sobre a atuação das mulheres no Funk e no Hip Hop na cidade de São Paulo – apontou que no Funk as mulheres são, já há algum tempo, livres para cantar sobre a sua sexualidade, ao contrário do Rap: “Na época da pesquisa percebi que havia muita diferenciação entre o Hip Hop masculino e o Hip Hop feminino. O masculino ainda é predominante na cultura Hip Hop”, apontou. Mas afinal, porque um movimento tão plural quanto o Hip Hop tinha (e ainda tem) dificuldade em agrupar diferentes gêneros?

A reposta é encontrada no conhecimento, tido como o quinto elemento do Hip Hop. O mundo mudou e com essa mudança muitas minorias sufocadas – como as mulheres – se empoderaram em relação às suas causas e demandas. Se antes, aos olhos dos machistas de plantão “lugar de mulher era na cozinha”, agora “lugar de mulher é onde ela quiser”, inclusive dentro do cenário do Hip Hop. Em 2010, nasceu a Frente Nacional de Mulheres do Hip Hop, cujo objetivo é potencializar as ações das mulheres dentro do movimento. Saiba mais sobre a frente em www.mulheresnohiphop.com.br.

Dica de leitura: Perifeminas, volume I e II. Os livros compilam textos diversos, em diferentes formatos, de mulheres sobre a predominância do masculino no cenário do Hip Hop.
Organizado pela Frente Nacional de Mulheres do Hip Hop.